terça-feira, 27 de outubro de 2020

As vezes penso que perdi o prazer com a vida de modo geral. Não tenho vontade de conversar, de contar novidades (até porque elas nem existem!), nem de compartilhar nada. 

Depois que minha mãe se tornou outra pessoa devido a depressão, eu penso que isso pode acontecer com qualquer um e isso me dá medo. Tenho medo de amar. Tenho medo de atender o telefone e ser um parente próximo que eu não falo há meses. 


Minha vida tem se resumido ao meu dia ocupado pelo trabalho, a um livro ou outro que eu pego pra ler, pois também acabei com as redes sociais. 


Nos últimos tempos eu tenho me sentido muito angustiada. Queria tanto poder voltar ser aquela pessoa animada e disposta para tantas coisas. 


Não me sinto doente, mas me sinto num lugar diferente. Ora me sinto sufocada. Ora me sinto sem chão. Ora me sinto com medo porque eu sinto o quanto estou sendo julgada pelas pessoas, mas, ao mesmo tempo, o quanto elas estão gostando de ficar neste lugar. Longe do problema não se vê o problema. É isso que eu acho que algumas pessoas fazem.


Tudo dói dentro de mim. 


Dizem que o tempo ajuda a curar muitas coisas. Mas por que ele tem sido tão cruel? Quanto tempo? Quanto tempo mais eu vou me sentir assim? 

sábado, 24 de outubro de 2020

A gente faz um monte de planos.  A gente tenta controlar tudo. A gente se prepara e acha que vai ser de um jeito. 


Daí vem a vida e muda tudo. 

Mostra que aquele vestido que você comprou pensando em usar num dia especial, é pra usar num dia comum. 

Mostra que aquela decoração que você comprou não é pr’aquele lugar. 

Mostra que o coração vive brincando com a gente e nem sempre a razão tem razão. 


A ansiedade tem me torturado. Nunca imaginei sentir essa angústia que não tem explicação. Ou melhor, nunca achei que encontraria tantas explicações pra essa angústia. 


Meu corpo dói. Minha cabeça dói. Meu coração dói. E eu só queria poder me sentir em paz. Queria minha mãe sorrindo, meus sonhos se realizando. Meu coração quieto e feliz ao lado de TUDO o que me faz bem. 

domingo, 20 de setembro de 2020

Tudo ainda é tão diferente. Seu olhar nunca mais foi o mesmo e meu corpo todo ainda dói de saudade, de vontade de voltar no tempo só pra poder ter aproveitado mais daquela doçura de antes, porque agora é uma doçura diferente. 


Para mim tudo mudou. Sinto-me toda fragmentada e sem saber se um dia voltarei a ser inteira. Nunca imaginei que a gente passaria por tantas coisas difíceis e tão doloridas. 


Sinto tamanho desejo de que as coisas desaparecem da minha cabeça. Que todas essas lembranças difíceis sumissem da minha mente porque isso tudo me dói. 


A ansiedade tem sido minha pior companheira e eu nunca imaginei que fosse algo tão profundo. Nunca imaginei me sentir verdadeiramente doente. Nunca imaginei sentir falta de ar, crises de choro, medo de não conseguir suportar. 


Até onde eu vou conseguir chegar? Até quando vou me sentir testada pela vida?

sábado, 29 de agosto de 2020

Tenho ensaiado muito pra escrever este texto. Quase todos os dias eu rememoro o dia em que estive na casa da minha tia e ainda não consegui falar com ela sobre o quão difícil foi isso pra mim. 


Tentei me arrumar. Mostrar aparência normal. Mas por dentro tudo doía e sangrava. Há muitos meses eu não via ninguém da minha família. 

Algumas mensagens me feriram há tempos atrás. As cobranças eram demais pra mim e eu não soube lidar com tudo isso. 


Tenho feito tudo o que está ao meu alcance. A ansiedade veio nesse combo de incertezas e medos. As crises me ferem muito e eu só desejo me isolar. Eu não tenho vontade de estar com ninguém. Não quero responder e ver ninguém. 


Naquele último sábado se não fosse o acolhimento da Júlia, as palavras dela sempre tão sábias, não saberia sorrir e chorar. Não saberia aceitar que a vida continua e eu ainda tenho família. 


A Júlia me disse sobre “escolhas” e eu ainda tento digerir cada palavra, cada lágrima que consegui deixar rolar quando naquele instante me desarmei. 


Nunca imaginei passar pelo que estou passando. Ainda acho a vida muito injusta e nada faz sentido. Lembro da minha infância, da vovó doente, dos curativos que ela precisava, da dor que ela sentia e das madrugadas que eu ficava acordada indo chamar minha mãe pra acolhê-la.

Depois tive a rubéola. A família tinha medo de pegar a doença e eu fiquei muito ressentida com isso. Não via ninguém. Fiquei meses sofrendo sem saber bem o que era, com suspeita de lúpus. Minha mãe, que já tinha passado por tanta dor desde criança, passou por mais essa comigo. 


Em mim ainda vive muita mágoa. Sinto coisas que não sei expressar nem mesmo com palavras. Queria ter o dom do esquecimento e conseguir destruir uma série de memórias. 


Tenho medo de não conseguir me libertar. Tenho medo de não conseguir aceitar a nova realidade da minha vida. Ainda dói a memória de não conseguir chegar e ser só a Thatha. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Tudo virou escuridão novamente. Mais um pedaço de mim se foi com as notícias de hoje. 

Sinto que ela está partindo aos poucos. 

Sempre me lembro de uma vidente que disse que ela iria embora cedo. Já não sei se ela já se foi ou não. 


Eu sinto o meu corpo dormente e uma vontade imensa de fugir disso tudo. Queria me enfiar num buraco e depois de uma longa caminhada chegar num lugar onde eu fosse estranha. 


Queria ser estranha de mim mesma. Queria me encontrar e acreditar que um dia eu seria feliz novamente. Já não consigo ter planos. Já não desejo estar repleta de pessoas. Eu só desejo me encontrar. 


Minha cabeça só ecoa “porquê? Porquê?”.

sábado, 25 de julho de 2020

Cada vez mais eu entendo o desejo de morte de algumas pessoas. A dor é tão grande que a gente só deseja sumir, deseja morrer, deseja desaparecer ou virar pó. 

Hoje foi mais um daqueles dias péssimos. Horríveis. Minha mãe voltou aquele estágio de catatonia e quase não fala mais comigo. 
Passam das 22h e meu pai fez uma ligação de vídeo. Ela não quer falar. Não quer abrir os olhos. Não quer se mexer. Seu braço direito está quebrado. Saí de lá há poucas horas. Por que isso? 

Meu corpo dói. Minha cabeça parece que vai explodir. Eu não tenho mais vontade de estar aqui. Já faz mais de um ano. Esse pesadelo não tem fim. 

As pessoas são hipócritas. Elas dizem se importar, dizem estar ali, mas, no fundo, tudo é discurso. Estamos sozinhos nisso tudo. 

Não tenho vontade de ver minha família. Não tenho vontade de conversar. Não tenho vontade de nada, a não ser sair desse inferno que a vida se tornou depois da depressão da minha mãe. Só desejaria estar trancada num buraco fechada em mim mesma. 

Nenhum sorriso agora é puro ou feliz. Às vezes dá tristeza por ter estado feliz. Afinal, como ficar feliz em meio a isso tudo? Como conseguir pensar em ser feliz quando a nossa felicidade foi adormecida, quando toda a doçura virou amargura, quando todo o amor parece ter se tornado indiferente.

A depressão maltrata. Ela transborda da pessoa depressiva e começa a minar todas as forças, inclusive dos arredores. 

Onde é que foi parar a minha mãe? A minha mãe de verdade não era assim. Ela jamais entregaria os pontos como fez esta. E eu? Onde eu me perdi? Será que ainda consigo me encontrar?

sábado, 11 de julho de 2020

Às vezes dá vontade de escrever sobre essa angústia que é ter que lidar com a ansiedade. Já não posso mais dividir isso com outras pessoas porque eu as faço mal. 

Ontem foi um dia péssimo! Tive uma crise horrível. O coração acelerado, o choro que eu não conseguia conter, as mãos suadas e o medo. Às vezes é um medo que eu não sei de onde vem e nem  do que é exatamente. Então, tem sido recorrente, ter mais crises de enxaqueca e nestes momentos eu só queria sumir. Por hoje, mais uma noite sem dormir. 

Por que será que a nossa vida pesa tanto? Por que eu não consigo simplesmente agir de forma que as coisas não sejam tão dolorosas pra mim? 
É ruim quando você está sofrendo e alguém menospreza o que você sente. É ruim quando você está chorando e ouve alguém sendo bruto com você. 

Ansiedade não é frescura, não é manha, não é pra chamar atenção. A ansiedade dói, desgasta, faz mal, aumenta os problemas e some com as soluções. 

Se uma pessoa já está há algum tempo tratando a ansiedade e parece que nada mudou não pense que é por falta de esforço ou vontade. Tenha certeza de que tudo o que essa pessoa mais quer é se livrar dessa dor. 

Hoje nada apetece.