quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Fecho as malas para partir em uma nova viagem. Estou sem energia. Esse ano me consumiu demasiadamente. O silêncio reina em mim, choro e soluço em seco. Nas últimas horas recebo dezenas de mensagens de pessoas queridas. Noto que o ano não foi tão ruim quanto minhas lembranças teimavam afirmar. Despeço-me do ano, despeço de tudo aquilo que pesa em mim. Despeço-me do sono, desse modo de vida. Digo "olá" ao novo. Aguardo a segunda-feira que ditará as novas rotinas. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

AGAMBEN. O que é contemporâneo. E outros ensaios.



Agamben, em seus ensaios, se propõe a investigar o problema do tempo, diz que uma revolução não muda o mundo, muda a experiência de tempo. A revolução é uma “constante interrupção da cronologia por um tempo outro”.




                Ao falar sobre “dispositivo”, o autor trata bastante do conceito de “oikonomia” (gestão da casa, em grego), que depois é traduzida para o latim “dispositio”. Depois de fazer uma investigação etnológica da palavra “dispositio”, o autor diz que o dispositivo passa a ser “qualquer coisa que tenha de algum modo a capacidade de captar e assegurar os gestos, as condutas, as opiniões e os discursos dos seus viventes”. Ressaltamos que dessa relação entre corpos viventes e dispositivos nasce o sujeito.




                Agamben aponta que o termo “dispositivo” é decisivo na estratégia do pensamento de Foucalt. O dispositivo é uma formação que vem no momento de responder a uma urgência, está sempre inscrito num jogo de poder.




                Ao falar sobre o contemporâneo o autor retoma a questão do tempo e aponta que a contemporaneidade é a relação com o próprio tempo; é a relação que a este adere através de uma dissociação e um anacronismo. Ser contemporâneo é se colocar numa situação de quebra. O autor irá discutir o conceito em torno de outros conceitos, como: intempestivo, escuridão e arcaico.




                Ao citar Nietzsche compreende-se a contemporaneidade como uma condição intempestiva, seria a desconexão e dissociação do tempo presente. Mais adiante Agamben falará do contemporâneo em relação ao escuro. O contemporâneo, nesse caso, seria aquele que mantém o olhar no seu tempo para nele não se perceber as luzes, mas o escuro, ou seja, neutralizar as luzes e descobrir as trevas; entender o silêncio quando a música está demasiadamente alta.


                Ser contemporâneo, para o autor, é um ato de coragem. “A contemporaneidade se escreve no presente assinalando-o antes de tudo como arcaico”, ou seja, que está próximo da origem.” A atenção dirigida a esse não vivido é a vida do contemporâneo. E ser contemporâneo, neste sentido, é “voltar ao presente que jamais estivermos”.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

“o apocalipse dos trabalhadores” é o presente. poderá levá-la às nossas prosas engajadas, às nossas conversas sobre a vida e o amor. ou talvez sobre ao seu passado, sua infância, seus conflitos.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

“Quem não sabe perdoar, 
só sabe coisas pequenas.” - VHM
aprendendo.

terça-feira, 24 de março de 2015

Adeus, Herberto Helder.

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.
O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e des
aparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.
De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.
Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.
Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um verão interior.
de Cinco Canções Lunares